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IBAMA alega falta de condições devido à manifestação de populares e suspende audiência pública de termelétrica em Caçapava

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IBAMA alega falta de condições devido à manifestação de populares e suspende audiência pública de termelétrica em Caçapava. A reunião programada para 19h, desta terça-feira (02/07), teve o seu encerramento confirmado por Edmilson Maturana do IBAMA, às 19h27, devido “a falta de condições do cumprimento da decisão judicial”. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP E RECEBA AS NOTÍCIAS EM PRIMEIRA MÃO

A audiência pública seria realizada mesmo sem o licenciamento ambiental por determinação do Tribunal Regional Federal, explicou à reportagem Edmilson Maturana. Ele ainda ressaltou que a empresa Natural Energia tem um prazo para apresentar estudos e informações que foram solicitados pelo IBAMA no processo e há prazo para que isso seja enviado, podendo, inclusive ser estendido. Ele frisou que o órgão estava apenas cumprindo uma decisão judicial.

Além da audiência pública desta terça-feira, uma nova reunião está marcada para está quinta-feira, em São José dos Campos, porém não é possível afirmar se a mesma irá ocorrer e uma decisão ficará a cargo da Procuradoria Geral do IBAMA. Um comunicado a respeito desta audiência pública deve ser divulgado no site do Instituto ao longo desta quarta-feira.

A construção da termelétrica em Caçapava seria uma obra para 2028, 2029 e atenderia a demanda de energia de 1,5 milhão de consumidores no Brasil. Seria a maior usina termelétrica da América Latina. Os ambientalistas e os moradores de Caçapava, na sua grande maioria, são contra a construção, devido ao impacto ambiental que a mesma causaria.

Entrevista com Anton Schwyter, Gerente de Energia, Clima e Geociências do Instituto Arayara

Vale 360 News: Como o senhor observa a não realização da audiência pública em Caçapava?

Anton Schwyter: Olha, há vários aspectos relevantes que precisam ser reparados. A manifestação de uma parte específica da população contra a instalação de uma usina termelétrica deste porte, utilizando combustíveis fósseis, é um reflexo das preocupações com as mudanças climáticas. A construção de uma usina desse tamanho afetaria profundamente o clima, não só de Caçapava, mas de toda a região do Vale do Paraíba, do estado e até do país.

Vale 360 News: O senhor acredita que a não realização da audiência pública foi conveniente para a Natural Energia?

Anton Schwyter: Eu não acredito que tenha sido conveniente para eles, pois a empresa tem interesse em obter sua licença prévia o mais rápido possível para participar de leilões de compra de energia. Adiar a audiência pública atrasa o processo de licenciamento e a obtenção da licença prévia.

Vale 360 News: Qual é a sua opinião sobre a instalação da usina em Caçapava?

Anton Schwyter: A instalação dessa usina esgotaria recursos hídricos, necessários para o resfriamento dos equipamentos, afetando a agricultura e o abastecimento de água para os moradores. Além disso, a emissão de gases poluentes afetaria toda a região e até São Paulo. Existem alternativas para a produção de energia utilizando fontes renováveis, que não causariam tantos impactos negativos.

Entrevista com Raquel Henrique, geógrafa e doutora em planejamento urbano e regional, coordenadora da ONG Eco Vital

Vale 360 News: O que muda no planejamento da instalação da termelétrica sem a realização da audiência pública?

Raquel Henrique: A audiência pública é essencial. Queremos a apresentação de estudos ambientais completos e válidos. A suspensão dos estudos técnicos pelo IBAMA em 30/04 coloca em risco a saúde coletiva e o meio ambiente. As mudanças climáticas estão evidentes, como vimos recentemente no Rio Grande do Sul. Um empreendimento deste porte sobrecarregaria ainda mais as condições do Vale do Paraíba, somando-se aos emissores já existentes.

Vale 360 News: Por que o estudo correto não está na mesa de discussão de uma audiência tão importante?

Raquel Henrique: Estamos falando do maior empreendimento de termelétricas da América Latina, que queimará entre 6 a 8 milhões de metros cúbicos de gás metano por dia, emitindo poluentes equivalentes a 6 milhões de carros. Esses poluentes causam chuva ácida, problemas neurológicos e respiratórios, entre outros. Caçapava já tem um histórico negativo com a instalação da empresa Faé nos anos 80, que prometeu desenvolvimento, mas deixou um legado de problemas de saúde.

Outro Lado

A empresa responsável pela construção da termelétrica em Caçapava não disponibilizou porta-voz para comentar a suspensão da reunião, porém se manifestou por meio de nota.

“O projeto da UTE São Paulo à sociedade. A Natural Energia está pronta para apresentar o projeto e tirar todas as dúvidas, o que não foi possível hoje (02). A companhia respeita a decisão do Ibama de suspender a audiência pública e segue à disposição para fazer a apresentação do projeto”, finalizou.

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