Prefeitura propõe novas regras para construções e reformas em Taubaté. Veja o que muda

As novas regras para construções e reformas em Taubaté podem mudar o caminho de quem quer construir, reformar, demolir ou regularizar um imóvel na cidade. A Prefeitura enviou à Câmara, em 20 de janeiro de 2026, um Projeto de Lei Complementar que institui o Código de Obras e Edificações (COE), com promessa de desburocratizar o licenciamento e atualizar exigências de segurança, acessibilidade e sustentabilidade. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Segundo a mensagem enviada ao Legislativo, a proposta foi construída com participação e inclui melhorias para tornar o processo “mais eficiente e acessível”, com mais previsibilidade e segurança jurídica para grandes empreendimentos e também para pequenos construtores.

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O que é o COE e por que a Prefeitura quer mudar as regras

O COE é a base legal que define como devem ser elaborados, analisados e aprovados planos, projetos e licenciamentos ligados à execução de obras e instalações. Na prática, ele estabelece regras para:

  • construção de novas edificações;
  • reformas com ou sem aumento de área;
  • mudança de uso (por exemplo, residência que vira comércio);
  • demolição total ou parcial;
  • obras gerais (infraestrutura isolada, demolições e obras diversas);
  • regularização e legalização, inclusive para habitação de interesse social.

O texto determina que projetos e obras precisam estar alinhados ao Plano Diretor Físico (Lei Complementar 412/2017) e ao Plano de Mobilidade Urbana (Lei 5.668/2021), além de regras sanitárias e de proteção ambiental e do patrimônio.

Principais promessas das novas regras para construções e reformas em Taubaté

Entre os pontos que a Prefeitura destaca como objetivo das novas regras para construções e reformas em Taubaté, estão:

  • desburocratização do licenciamento urbanístico;
  • agilidade na aprovação de projetos e emissão de licenças;
  • regras mais claras para aumentar a segurança jurídica;
  • diretrizes atualizadas de acessibilidade e sustentabilidade urbana;
  • incentivo à regularização de edificações.

Quais licenças passam a existir e quando a obra pode começar

Pelo projeto, as licenças devem seguir as categorias de obras e incluem:

  • Licença para Obras de Edificações (construção; reforma sem alteração de área; reforma com alteração de área);
  • Licença para Obras Gerais (infraestrutura isolada; desmontagem e demolição total; obras gerais diversas).

Um ponto central das novas regras para construções e reformas em Taubaté é que a obra só pode ser iniciada após a expedição da licença. Além disso, a licença e um conjunto de cópias do projeto aprovado devem ficar no canteiro de obras, em local de fácil acesso à fiscalização, sob pena de multa.

ARE e autoatendimento: o que muda no “caminho” do licenciamento

O projeto prevê que um decreto vai regulamentar os procedimentos e separar formas de tramitação. Entre elas, aparecem três caminhos que podem impactar diretamente as novas regras para construções e reformas em Taubaté:

  • Processo Comum: com documentação, projeto simplificado e análise técnica conforme categoria de obra e uso.
  • Processo de Alvará Rápido Eletrônico (ARE): com autorização imediata para execução de obras via alvará diferenciado, sob responsabilidade do requerente e dos profissionais, sem análise prévia dos técnicos municipais para deferimento.
  • Processo Autodeclaratório: via meio remoto (autoatendimento) para determinadas categorias, conforme capacidade técnica do órgão competente.

Na prática, isso tende a concentrar mais responsabilidade em projetistas e responsáveis técnicos, especialmente em modalidades aceleradas como o ARE.

O que fica dispensado de licença e de aprovação de projeto

O texto traz uma lista importante para quem faz reforma e manutenção. Em resumo, ficam dispensadas da aprovação do projeto e da Licença de Obra situações como:

  • reparos de fachadas, telhados e coberturas, desde que não exijam tapume, não usem equipamentos em via pública e não dependam de órgão de patrimônio;
  • reformas internas sem aumento/diminuição de área e sem demolição de paredes/estruturas portantes, incluindo consertos de esquadrias sem mudar o vão (salvo para aumentar), troca de telhas sem mudar estrutura e manutenção de instalações (elétrica, hidráulica, gás etc.);
  • muros e vedações sem mudança estrutural (muros acima de 2,50m exigem acompanhamento de profissional habilitado);
  • elementos acessórios como dispositivos de sombreamento, cisternas e drenagem, coletores solares/placas fotovoltaicas, medidores/hidrômetros, tanques externos domésticos;
  • paisagismo, reparos de calçamento interno, pisos drenantes/concregrama/decks vazados e jardins verticais (desde que não prejudiquem vagas obrigatórias e drenagem);
  • manutenção de calçadas sem mudar elementos existentes, respeitando a legislação;
  • obras promovidas pela Administração Pública Municipal;
  • construções rurais de apoio agropecuário (residencial unifamiliar) com condições específicas.

Além disso, há casos em que o projeto pode ser dispensado, mas a obra ainda fica obrigada a obter licença, conforme critérios do órgão municipal competente.

Calçadas, tapumes e segurança do pedestre: regra mais detalhada

Um trecho bem prático das novas regras para construções e reformas em Taubaté define parâmetros de acessibilidade e segurança ao ocupar calçadas durante obra. Entre os pontos previstos:

  • faixa livre de circulação para pedestres com largura mínima de 1,20m, sem obstáculos, e com exigência de sinalização tátil quando cabível (NBR 9050);
  • quando houver necessidade de desvio para o leito carroçável, o percurso deve ser no mesmo nível da calçada; se não for possível, pode haver rampa com inclinação máxima de 10%;
  • sinalização inclusive noturna e separação física para proteger pedestres;
  • o tapume deve voltar ao alinhamento quando acabar a necessidade de ocupação de via.

Marquises e toldos: limites, altura e drenagem

Pelas novas regras para construções e reformas em Taubaté, marquises e toldos poderão avançar sobre a calçada, mas com parâmetros objetivos:

  • largura máxima de 2,00m;
  • distância mínima de 60cm do limite do meio-fio;
  • altura mínima de 3,00m do piso até a face inferior;
  • adaptação às condições do logradouro (sinalização, iluminação, arborização e redes).

O projeto também prevê que marquises e beirais sejam feitos em material incombustível e tenham calhas/coletores, impedindo lançamento de água pluvial sobre o logradouro, com condução ao sistema público de drenagem (quando houver), à sarjeta ou a reservatório de reuso.

Sustentabilidade: VCTP pode compensar parte da taxa de permeabilidade

Um dos pontos mais diferentes das novas regras para construções e reformas em Taubaté é a criação do VCTP (Valor de Compensação da Taxa de Permeabilidade): uma pontuação por medidas sustentáveis que pode compensar a Taxa de Permeabilidade em até 50% da área exigida no lote (conforme a zona), com detalhamento em anexo específico de sustentabilidade.

Na prática, entram na lógica de compensação alternativas como captação/reuso de água, soluções de drenagem distribuída e outras medidas sustentáveis que serão pontuadas e verificadas no processo.

Vagas de estacionamento: percentuais, visitantes, PCD, motos e bicicletas

O texto também consolida parâmetros para estacionamento (quando o empreendimento não for polo gerador de tráfego). Entre as regras:

Uso residencial

  • em unifamiliares, vaga não é obrigatória; se houver, dimensão indicada de 2,30 x 4,80m;
  • em multifamiliares, vagas obrigatórias equivalem a 75% do número de unidades;
  • em habitação de interesse social: mínimo de 60% das unidades (Faixa 2 e posteriores) e 50% (Faixas 0 e 1);
  • em condomínio vertical com unidade até 27m²: 1 vaga para cada 4 unidades;
  • visitantes: 10% do total de unidades (mínimo 2 vagas);
  • PCD: 2% das vagas de visitantes (mínimo 1);
  • carga leve: 1 vaga (pode ser dispensada se for permitido estacionar na via de acesso);
  • motocicletas: 15% do total de vagas (residencial geral) e 20% (interesse social);
  • bicicletas: 10% (residencial geral) e 15% (interesse social).

Uso comercial/serviço/industrial/institucional

  • mínimo de 1 vaga a cada 100m² de área edificada (ou fração);
  • vagas complementares: PCD (2%), idosos (5%), carga e descarga compatível, motos (15%) e bicicletas (10%), com regras de mínimo quando há mais de 3 vagas projetadas.

Habite-se, vistoria e “passeio pronto” como condição

O projeto define prazos e reforça a importância da vistoria. Após o requerimento, o órgão competente deve:

  • providenciar Vistoria Técnica em até 30 dias;
  • emitir ou negar o Habite-se em até 15 dias após a vistoria, com parecer fundamentado.

Outro ponto relevante: no dia da vistoria, o passeio público em frente ao lote deve estar pavimentado conforme as exigências do próprio COE.

Se forem encontradas irregularidades em relação ao projeto, o texto prevê embargo imediato, multa e intimação para regularizar (ou demolir/modificar, se a alteração não puder ser aprovada). Há ainda hipótese de Habite-se parcial em situações em que seja possível concluir e usar parte do imóvel com segurança.

Fiscalização, denúncias e multas: o que pode pesar no bolso

O COE prevê fiscalização, processo administrativo e regras para denúncias. Um detalhe: denúncias identificadas têm prioridade, principalmente quando vêm com provas. Denúncias anônimas só avançam se tiverem elementos mínimos para verificação.

Em caso de penalidades, cabe recurso em 10 dias, com julgamento em até 30 dias (primeira instância no órgão responsável e segunda na Junta de Recursos Fiscais).

O anexo de multas usa a UFMT (Unidade Fiscal do Município de Taubaté), com gradação:

  • leve: 1 a 10 UFMT;
  • grave: 11 a 40 UFMT;
  • gravíssima: 41 a 50 UFMT.

Exemplos previstos na tabela: ausência de placa de identificação da obra (1 UFMT) e obra sem licença variando conforme área (por exemplo, até 70m²: 15 UFMT; acima de 100m²: 40 UFMT). Também há previsão de agravamento por desobediência ao embargo.

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Comissão permanente para “tirar dúvidas” e atualizar o Código

Outro item das novas regras para construções e reformas em Taubaté é a criação da CTAP-COE, uma comissão técnica permanente com servidores de Planejamento Urbano, Obras (Fiscalização) e Habitação, para:

  • acompanhar a implantação do Código;
  • propor atualizações;
  • deliberar sobre casos omissos e dúvidas de interpretação, “pacificando” entendimento por portarias publicadas.

O que muda para regularização e habitação de interesse social

O projeto prevê assistência técnica pública e gratuita (ATHIS) para famílias com renda mensal de até 3 salários mínimos, que tenham um único imóvel e morem em Taubaté há pelo menos três anos, abrangendo projeto, acompanhamento e execução de obras e serviços necessários para construção, reforma, ampliação ou regularização fundiária de habitação de interesse social.

Também há regra para regularização e legalização de HIS com isenção de contrapartida financeira em casos específicos e possibilidade de procedimento simplificado/autodeclaratório com Vistoria Responsável.

Revogações e transição: o que pode cair e o que permanece

O texto prevê revogação expressa de leis e dispositivos que contrariem o novo Código (incluindo leis de 1980, 1994, 2001, 2021 e trechos específicos de normas posteriores). Também estabelece que obras com licença emitida antes do novo COE devem ser iniciadas dentro do prazo de validade dessa licença, sem possibilidade de revalidação, sob pena de caducidade.

E agora? Como será a tramitação na Câmara de Taubaté

Como se trata de Projeto de Lei Complementar, a proposta deve passar por comissões internas da Câmara, pode receber emendas e, ao final, ser votada em plenário. Se aprovada, ainda depende de sanção e publicação para entrar em vigor, além de decretos regulamentando procedimentos como o ARE e o autoatendimento.

📌 Para entender como outros projetos enviados pela Prefeitura avançaram no Legislativo, veja também:

novas regras para construções e reformas em Taubaté
Foto: Vale 360 News

Perguntas frequentes

1) O que muda com as novas regras para construções e reformas em Taubaté?

O projeto cria um novo Código de Obras e Edificações (COE), atualiza exigências técnicas e reorganiza o licenciamento, com modalidades como ARE e autoatendimento, além de regras mais detalhadas para calçadas, marquises, sustentabilidade, vagas de estacionamento e fiscalização.

2) O que é o Alvará Rápido Eletrônico (ARE)?

É um tipo de autorização imediata para executar obras por um alvará diferenciado, sob responsabilidade do requerente e dos profissionais habilitados, sem análise prévia dos técnicos municipais para deferimento (conforme regulamentação).

3) Quais reformas ficam dispensadas de licença e de aprovação de projeto?

Em geral, reformas internas sem aumento de área e sem mexer em estrutura portante; consertos e manutenção de instalações; reparos em telhado sem alteração estrutural; muros sem mudança estrutural (com regra para muros acima de 2,50m); e instalação de elementos acessórios como cisternas, placas solares e drenagem, desde que atendidos critérios do Código.

4) Como ficam as calçadas durante a obra?

O COE prevê parâmetros de acessibilidade e segurança, como faixa livre de circulação com 1,20m mínimo, sinalização (inclusive noturna) e proteção física para pedestres. Em algumas situações pode haver desvio para o leito carroçável, com regras específicas.

5) Marquise pode avançar sobre a calçada?

Sim, com limites: largura máxima de 2,00m, distância mínima de 60cm do meio-fio e altura mínima de 3,00m, além de exigências de drenagem e segurança.

6) O que é o VCTP e por que isso importa?

É o Valor de Compensação da Taxa de Permeabilidade: uma pontuação por medidas sustentáveis que pode compensar parte da área exigida de permeabilidade, incentivando soluções como captação/reuso de água e outras alternativas sustentáveis.

7) Como funcionam as multas e a fiscalização?

As multas são graduadas em UFMT, com faixas para infrações leves, graves e gravíssimas. Denúncias identificadas têm prioridade, e há regras de processo administrativo, embargo e possibilidade de recurso.

8) Quando as novas regras para construções e reformas em Taubaté começam a valer?

Ainda não há data de vigência definida no dia a dia porque o projeto precisa tramitar e ser aprovado na Câmara, sancionado e publicado. Após isso, o Executivo ainda deve regulamentar procedimentos por decreto.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.