A Embraer não pretende realizar cortes de pessoal nas unidades do Brasil, incluindo a fábrica de São José dos Campos, mesmo diante das tarifas de 10% impostas pelos Estados Unidos sobre aeronaves brasileiras. A garantia foi dada pelo presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, durante conferência com jornalistas e analistas nesta terça-feira (05/08), após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
“No momento, não está, tá completamente fora dos nossos planos qualquer tipo de alteração, redução de quadro por causa de redução de produção”, afirmou o CEO.
Segundo ele, o impacto da tarifa já foi absorvido nas projeções financeiras da empresa para 2025, e o plano de produção segue mantido:
“Agora nós voltamos para uma situação mais gerenciável. Tanto é que nós já incluímos os 10% de impacto das tarifas nas nossas projeções financeiras e estamos mantendo o nosso ganho para o ano. E para atender o ganho do ano, nós temos que entregar todos os aviões que estão planejados.”
Mais de 5 mil contratações desde a pandemia e plano de crescimento segue firme
Em resposta a uma pergunta sobre o risco de demissões futuras ou novas contratações no Vale do Paraíba, Francisco Gomes Neto foi direto:
“Nosso plano é de crescimento para os próximos anos. Nós estamos crescendo a uma taxa de dois dígitos a cada ano e aumentando a produção.”
O CEO ressaltou que a Embraer já ampliou significativamente seu quadro de funcionários desde o pico da pandemia:
“Se você dá uma olhada nos últimos anos, desde depois da pandemia, nós já contratamos mais de 5.000 pessoas. E a grande maioria foi no Brasil. A Embraer vem crescendo, e o plano é de crescimento.”
Gomes Neto ponderou que, como qualquer empresa, esse cenário está sujeito a mudanças econômicas globais, mas reforçou que, por ora, o ambiente é positivo:
“Evidentemente, se houver alguma mudança muito drástica no cenário, isso vale não só para a Embraer, vale para todas as empresas, no Brasil e no mundo. Mas o nosso plano agora, a nossa visão agora, é positiva.”

Investimentos no Brasil seguem como prioridade
Ao ser questionado pelo Vale 360 News sobre a série de anúncios de aportes da Embraer nos Estados Unidos, incluindo o plano de investir US$ 500 milhões e gerar 2.500 empregos naquele país, Francisco Gomes Neto foi enfático ao afirmar que “a maioria dos investimentos ainda ocorre no Brasil”.
“Você lembra que alguns meses atrás, nós anunciamos em um evento que a Embraer iria investir R$ 20 bilhões até 2030. Se você dividir por 5, dá quase US$ 4 bilhões. Então, você compara esse número com o número que a gente tem falado dos investimentos nos Estados Unidos… A grande maioria dos investimentos ainda acontece aqui.”
Os recursos, segundo ele, estão sendo direcionados a diversos polos da empresa no país, incluindo São José dos Campos, Taubaté e Gavião Peixoto:
“São investimentos em Taubaté, investimentos em Gavião Peixoto, investimentos em São José dos Campos. Em várias melhorias, aumento de capacidade. Os investimentos estão distribuídos e a maioria deles é no Brasil, porque as nossas operações são maiores aqui.”
Reestruturação dos prédios e retorno presencial em 2025
Outro ponto citado pelo CEO diz respeito ao retorno do trabalho presencial em janeiro de 2025, que virá acompanhado de investimentos em infraestrutura corporativa na região de São José dos Campos.
“Nós estamos fazendo investimentos muito grandes para renovar os prédios em São José dos Campos, em Eugênio de Melo, para receber o nosso pessoal de volta a partir de janeiro.”
A modernização desses espaços, segundo ele, está alinhada com a estratégia de retenção de talentos e expansão de atividades técnicas no Brasil.
Investimentos nos EUA fazem parte da estratégia global, mas não substituem o Brasil
Apesar da projeção de crescimento internacional, incluindo os US$ 500 milhões previstos nos EUA e a possível escolha do KC-390 pela Força Aérea Americana, o CEO frisou que essa movimentação não significa deslocamento do centro de gravidade da Embraer para fora do Brasil.
“Os Estados Unidos fazem parte disso e são uma parte relevante, sim. Mas nós estamos levando essas informações ao conhecimento das pessoas que têm o poder de decisão sobre as tarifas.”
Ele reforçou que, enquanto o ambiente regulatório norte-americano segue sendo negociado, a empresa permanece com sede operacional, maior parte das unidades e empregos no Brasil.
Outros investimentos globais e em serviços
Durante a coletiva, Gomes Neto também citou aportes na unidade de Portugal, voltados à ampliação da capacidade de manutenção de motores, o que deve alavancar a receita da divisão de serviços:
“Outro investimento relevante que nós estamos fazendo é na Ógma, em Portugal, para fazer a manutenção dos motores GTF. Isso vai contribuir para um aumento substancial nas receitas da nossa área de serviço.”
Perguntas Frequentes
A Embraer vai demitir por causa das tarifas dos EUA?
Não. A empresa já absorveu o impacto das tarifas nas projeções financeiras e descarta qualquer redução de quadro neste momento.
Quantas pessoas foram contratadas desde a pandemia?
Mais de 5.000, sendo a grande maioria no Brasil.
Onde estão sendo feitos os investimentos no Brasil?
Principalmente em São José dos Campos, Taubaté, Gavião Peixoto e Eugênio de Melo, com foco em modernização, expansão e infraestrutura.
Qual o plano da empresa para 2025?
Manter o crescimento com aumento de produção, manutenção da receita e contratações pontuais, de acordo com a demanda.
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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

