“Instituto de Previdência do Servidor Municipal (IPSM) está com a saúde financeira em dia”, afirma Prefeito de São José dos Campos

Em entrevista à rádio CBN Vale, o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), afirmou que o IPSM está com a saúde financeira em dia e defendeu a forma como a Prefeitura vem tratando os aportes e a gestão do Instituto de Previdência do Servidor Municipal, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores municipais. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Prefeito detalha números e diz que IPSM está com a saúde financeira em dia

Ao comentar a situação da saúde financeira do IPSM de São José dos Campos, Anderson Farias afirmou que o instituto teria hoje cerca de R$ 1,95 bilhão em caixa, valor que, segundo ele, consta de extrato bancário de aproximadamente duas semanas antes da entrevista. Esse montante se refere, de acordo com o prefeito, ao dinheiro efetivamente depositado em contas bancárias do Instituto de Previdência do Servidor Municipal.

Somando os recursos em aplicações financeiras e o patrimônio imobiliário, o prefeito disse que o IPSM está com a saúde financeira em dia e que o patrimônio total do instituto chegaria a pouco mais de R$ 2,6 bilhões. Ele citou ainda que o órgão é dono de alguns prédios na cidade e destacou a gestão da atual diretoria, presidida por Devair Pietraroia, servidor de carreira que já ocupou os cargos de secretário de Proteção ao Cidadão e comandante da Guarda Civil Municipal.

Na avaliação do chefe do Executivo, esses números demonstram que, do ponto de vista do caixa e do patrimônio, a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos estaria preservada.

Aportes, parcelamento e IPTU: como Anderson Farias sustenta que o IPSM está com a saúde financeira em dia

Durante a entrevista, Anderson Farias procurou explicar de forma didática o que são os aportes ao IPSM e por que, na visão dele, parcelar esses valores não significaria dar calote. Ele afirmou que a Prefeitura cumpre mensalmente as obrigações previdenciárias de rotina: o município repassa 28% da folha dos servidores para o IPSM e retém outros 14% dos salários dos funcionários, contribuindo com um total de 42% para o instituto.

Os aportes de insuficiência financeira entram em cena quando a rentabilidade das aplicações do instituto, em determinado mês, não é suficiente para cobrir todas as despesas, principalmente a folha de pagamento de aposentados e pensionistas.

No exemplo dado pelo prefeito, se a rentabilidade de um mês for de R$ 30 milhões, mas a despesa chegar a R$ 50 milhões, o município teria que aportar R$ 20 milhões para cobrir a diferença.

Por outro lado, explicou ele, se no mês seguinte a rentabilidade for de R$ 70 milhões, com despesa de R$ 50 milhões, sobrariam R$ 20 milhões. De acordo com Anderson Farias, a legislação permite compensar essa sobra com o valor que faltou no mês anterior, o que, na prática, reduz a necessidade de desembolso imediato da Prefeitura.

Esse mecanismo também pode ser utilizado para fazer a compensação ao final do exercício, inclusive com a possibilidade de parcelar o saldo, sempre dentro das regras previdenciárias.

Para justificar a estratégia de parcelamento, o prefeito comparou os aportes ao pagamento do IPTU: quem deixa de pagar o imposto à vista, com desconto, e opta por parcelar, não é chamado de caloteiro.

Segundo ele, a situação é semelhante quando a administração opta por parcelar aportes sem comprometer a capacidade do instituto de honrar seus compromissos. Nessa lógica, reforçou, o IPSM está com a saúde financeira em dia, pois o foco estaria em garantir a sustentabilidade de longo prazo, e não apenas o fluxo de caixa mês a mês.

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IPSM está com a saúde financeira em dia, mas fala ocorre em meio a dívidas parceladas e cobranças de órgãos de controle

 

Embora o prefeito reforce que o IPSM está com a saúde financeira em dia, o tema é alvo de intenso debate em São José dos Campos e vem sendo acompanhado de perto por órgãos de controle, servidores e pelo próprio Legislativo municipal.

Em 2023, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) divulgou um levantamento em que a qualidade da administração previdenciária da Prefeitura em São José dos Campos foi classificada com nota C+, uma das piores faixas da escala estadual, em um índice que avalia saúde financeira, quadro atuarial, investimentos e sustentabilidade dos regimes próprios de previdência.

Em 2024, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada pelo Sindserv, sindicato dos servidores, contra a Lei Complementar 664/2022 — que alterou o uso de receitas do instituto — foi extinta pelo Tribunal de Justiça sem análise do mérito. Na ação, o sindicato acusava a Prefeitura de negligenciar aportes, recorrer a manobras contábeis e parcelamentos de longo prazo, em prejuízo da saúde financeira do IPSM de São José dos Campos.

Além disso, em 2024 a vereadora Dulce Rita (União) protocolou na Câmara um Projeto de Lei que propõe mudanças na gestão do Instituto de Previdência, com maior participação dos servidores na escolha da diretoria e dos conselhos, numa tentativa de reforçar a governança e a independência do órgão em relação ao Executivo.

Mais recentemente, em novembro de 2025, a própria Prefeitura enviou à Câmara um “pacote duplo” de projetos para organizar em até 300 e 60 parcelas diferentes dívidas de aportes de insuficiência financeira devidos ao IPSM, que somam cerca de R$ 270 milhões, referentes a repasses não feitos desde junho de 2024, segundo documentos encaminhados ao Legislativo.

Essas decisões e propostas ajudam a mostrar que, ao mesmo tempo em que o prefeito afirma que o IPSM está com a saúde financeira em dia, a situação do instituto permanece sob forte escrutínio de órgãos de controle e das entidades que representam os servidores.

Atuária, longo prazo e superávit: como a Prefeitura justifica que o IPSM está com a saúde financeira em dia

Na entrevista à rádio CBN Vale, Anderson Farias reforçou que, na visão da Prefeitura, a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos não pode ser analisada apenas pela fotografia de um mês isolado, mas sim pelo cálculo atuarial, que projeta o pagamento de benefícios até 2075. É nesse horizonte de longo prazo que ele afirma que o IPSM está com a saúde financeira em dia.

O prefeito afirmou que, pela primeira vez em seu governo, o IPSM fechou o ano com superávit atuarial, o que, segundo ele, indicaria que o conjunto de ativos, contribuições e aportes previstos é suficiente para honrar os compromissos futuros com aposentados e pensionistas.

Ele argumenta que, se a economia não oferece boa rentabilidade nas aplicações, não faria sentido antecipar aportes além do necessário, porque isso significaria tirar recursos do caixa do município em um cenário de baixa remuneração financeira.

Na prática, o argumento central é que o IPSM está com a saúde financeira em dia porque: as contribuições mensais (28% da Prefeitura e 14% dos servidores) estariam sendo repassadas; os benefícios estariam sendo pagos; e os aportes de insuficiência financeira poderiam ser compensados ou parcelados, dentro do que a lei permite, sem comprometer o equilíbrio atuarial.

Anderson Farias também citou casos de gestões anteriores que parcelaram dívidas trabalhistas e previdenciárias em até 300 meses, para reforçar que a prática não é exclusividade de seu governo e que se trata de uma opção de gestão financeira, desde que respeitados os limites legais.

IPSM está com a saúde financeira em dia
Foto: Claudio Vieira/PMSJC

Perguntas frequentes sobre a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos

O que é o IPSM e por que a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos importa tanto?

O Instituto de Previdência do Servidor Municipal (IPSM) é o órgão responsável por administrar as contribuições previdenciárias dos servidores efetivos da Prefeitura de São José dos Campos e pagar aposentadorias e pensões. A saúde financeira do IPSM de São José dos Campos é crucial porque qualquer desequilíbrio pode afetar diretamente a capacidade de pagamento de benefícios no futuro, além de pressionar o orçamento do município com aportes cada vez maiores.

O prefeito diz que o IPSM está com a saúde financeira em dia. Isso significa que não há dívidas?

Não necessariamente. Quando o prefeito afirma que o IPSM está com a saúde financeira em dia, ele se refere, principalmente, ao fato de que haveria dinheiro em caixa, patrimônio elevado e, segundo ele, superávit atuarial recente. No entanto, ao mesmo tempo, existem dívidas de aportes de insuficiência financeira que estão sendo organizadas por meio de projetos de parcelamento em até 300 e 60 vezes, somando cerca de R$ 270 milhões, conforme proposta enviada pela Prefeitura à Câmara em 2025.

Como funcionam os aportes e por que eles impactam a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos?

Os aportes são valores que a Prefeitura precisa transferir ao IPSM quando a receita do instituto (contribuições + rentabilidade das aplicações) não é suficiente para pagar todos os benefícios e despesas do mês. Eles são fundamentais para manter o equilíbrio entre o que sai e o que entra no caixa do instituto. Se os aportes forem sistematicamente postergados ou parcelados sem planejamento, isso pode pressionar a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos no médio e longo prazo, razão pela qual o tema é acompanhado por órgãos como o TCE e pelo próprio Tribunal de Justiça.

O que dizem TCE e Justiça sobre a administração do IPSM?

O TCE já classificou a qualidade da administração previdenciária da Prefeitura em São José dos Campos como C+, faixa que indica fase de adequação e está entre as piores notas do estado. Em outra decisão, o mesmo órgão determinou que o município devolvesse R$ 1,4 bilhão ao instituto por entender que a forma de utilização dos rendimentos das aplicações prejudicou as reservas do fundo. Já o Tribunal de Justiça extinguiu, sem julgamento do mérito, uma ação do sindicato dos servidores que questionava mudanças na legislação previdenciária local, mas o debate sobre a saúde financeira do IPSM de São José dos Campos permanece no centro da disputa política e jurídica.

O servidor pode acompanhar se o IPSM está com a saúde financeira em dia?

Sim. Servidores ativos e inativos podem acompanhar relatórios de gestão, demonstrativos contábeis, estudos atuariais e decisões dos órgãos de controle divulgados pela Prefeitura, pelo IPSM e pelos tribunais. Também podem acompanhar a tramitação de projetos como o PL que propõe mudar a governança do instituto, além de notícias que tratam dos parcelamentos de dívida e das decisões do TCE e do TJ.

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.