Metalúrgicos da GM em São José dos Campos aprovam estado de greve por aumento real de salário

Os metalúrgicos da GM em São José dos Campos aprovaram estado de greve nesta segunda-feira (31/08) para cobrar avanço na Campanha Salarial 2026, com destaque para o pedido de reajuste pelo INPC mais 3,5% de aumento real. A decisão ocorreu em assembleia com os funcionários do primeiro turno da General Motors. Uma nova votação está prevista para as 14h com o segundo turno. O estado de greve aumenta a pressão sobre a montadora, mas não representa paralisação imediata da fábrica. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, representantes dos trabalhadores e da empresa já participaram de dez rodadas de negociação. A entidade afirma que a GM mantém até agora a proposta de reposição da inflação medida pelo INPC, sem ganho real nos salários.

O sindicato apresentou uma contraproposta com vigência de dois anos. Além do reajuste salarial acima da inflação, a pauta inclui aumento do vale-alimentação, valores maiores de Participação nos Lucros e Resultados, estabilidade no emprego, efetivação de temporários, progressão salarial, redução da jornada e manutenção de cláusulas sociais.

O que significa o estado de greve aprovado pelos metalúrgicos da GM em São José dos Campos?

Estado de greve não significa que os trabalhadores já interromperam a produção. A medida funciona como uma etapa de mobilização que antecede uma possível paralisação e sinaliza que a categoria considera insuficiente o resultado das negociações.

A fábrica continua com suas atividades neste momento. Uma eventual greve depende dos próximos passos da campanha, das propostas apresentadas pela GM e de novas decisões dos trabalhadores em assembleia.

Esse tipo de estratégia já fez parte de negociações anteriores na unidade de São José dos Campos. Em setembro de 2024, funcionários da GM também aprovaram estado de greve após rejeitar uma proposta de reajuste salarial.

Naquela campanha, o impasse levou a novas reuniões entre sindicato e montadora. Dias depois, a GM chamou o Sindicato dos Metalúrgicos para uma nova rodada de negociação diante da possibilidade de greve.

Quanto os trabalhadores da GM querem de aumento salarial?

A proposta atual do Sindicato dos Metalúrgicos prevê reposição integral da inflação medida pelo INPC mais 3,5% de aumento real em 2026.

A entidade também pede a repetição da fórmula em 2027, caso o acordo coletivo de dois anos seja aceito. Dessa forma, o salário teria a reposição das perdas inflacionárias e um ganho adicional de 3,5% em cada ano.

Segundo o sindicato, a GM aceita até agora apenas a aplicação da inflação. A entidade considera insuficiente um reajuste sem aumento real e defende que os resultados do trabalho na planta devem aparecer também nos salários.

Em 2024, os trabalhadores apresentaram uma reivindicação diferente. Naquele ano, os funcionários da GM em São José dos Campos aprovaram uma pauta que pedia reajuste de 10,5%. A comparação mostra que negociações salariais na fábrica costumam reunir reajuste, benefícios e garantias de emprego.

Quais benefícios estão na proposta dos metalúrgicos para a GM?

A pauta entregue pelo sindicato vai além do salário. Para 2026, a entidade pede vale-alimentação mensal de R$ 1.200. Em 2027, o valor reivindicado sobe para R$ 1.350.

Na Participação nos Lucros e Resultados, a proposta prevê R$ 23.500 em 2027 e R$ 24.900 em 2028.

Os trabalhadores também cobram estabilidade no emprego durante toda a vigência do acordo e a efetivação dos funcionários temporários.

Outro item trata da progressão salarial. O sindicato propõe avanço a cada quatro meses para todos os trabalhadores, sem diferença entre quem já integra o quadro e quem entrar na empresa no futuro.

O que os metalúrgicos pedem sobre jornada e escala de trabalho?

A pauta inclui redução da jornada sem redução salarial, fim da escala 6×1 e fim do sistema conhecido como day off.

O sindicato também pede a renovação integral das cláusulas sociais e condições mais favoráveis no convênio médico.

Esses pontos colocam a campanha da GM dentro de uma discussão mais ampla entre os metalúrgicos da região. Em agosto, trabalhadores da Novelis, em Pindamonhangaba, também fizeram uma mobilização na Campanha Salarial 2026 por aumento real, redução da jornada e mudanças na escala de trabalho.

Por que estabilidade no emprego aparece entre as principais reivindicações?

A estabilidade ocupa espaço importante na pauta após conflitos anteriores entre trabalhadores e GM sobre cortes de pessoal.

Em julho de 2024, metalúrgicos fizeram protesto e paralisaram a produção após demissões na fábrica de São José dos Campos. Segundo o sindicato na época, cerca de 50 funcionários tinham sido desligados.

Outra paralisação ocorreu dias depois. Os trabalhadores cobraram reintegração dos demitidos e estabilidade, temas que voltam agora à mesa da Campanha Salarial 2026.

A reivindicação atual prevê estabilidade durante toda a vigência do acordo de dois anos. A proposta também busca a efetivação de trabalhadores temporários.

Qual é a importância da fábrica da GM para São José dos Campos?

A unidade da General Motors possui cerca de 3.300 trabalhadores, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos. A fábrica produz a picape Chevrolet S10 e o SUV Trailblazer.

O número atual representa crescimento em relação aos cerca de 3.150 funcionários informados pelo sindicato em 2024. Naquele ano, a GM abriu vagas temporárias para ampliar o segundo turno e elevar a produção.

O tamanho do quadro de funcionários faz da fábrica uma das grandes unidades industriais de São José dos Campos. Uma eventual paralisação, caso a campanha chegue à greve, pode afetar diretamente a produção dos dois modelos feitos na cidade.

Neste momento, porém, não existe greve decretada. O que os trabalhadores do primeiro turno aprovaram foi o estado de greve.

O que acontece após a assembleia do primeiro turno?

Os trabalhadores do segundo turno têm assembleia prevista para as 14h desta segunda-feira. Eles também vão decidir sobre o estado de greve.

O resultado dessa votação deve definir a dimensão da mobilização dentro da fábrica. Depois disso, o sindicato espera nova resposta da GM às reivindicações apresentadas nas negociações.

Valmir Mariano, vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, afirmou que a entidade considera insuficiente a proposta de reajuste sem ganho real e defende valorização salarial, estabilidade e avanços no acordo.

Até esta publicação, o comunicado usado como base para a reportagem não apresentava uma manifestação direta da General Motors sobre as críticas feitas pelo sindicato. A posição atribuída à montadora sobre o reajuste tem como fonte a entidade que representa os trabalhadores.

O histórico recente da GM mostra risco de paralisação?

A possibilidade existe, mas depende das próximas negociações e assembleias.

Em 2024, a fábrica passou por um cenário semelhante. Os trabalhadores rejeitaram propostas, aprovaram estado de greve e mantiveram a mobilização enquanto sindicato e empresa negociaram um acordo.

Também houve paralisações ligadas às demissões realizadas naquele ano. Em uma delas, cerca de 2 mil funcionários interromperam as atividades durante duas horas, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos.

O histórico ajuda a explicar o peso da decisão desta segunda-feira, mas não permite afirmar que uma nova greve ocorrerá. A continuidade da produção depende do resultado das negociações que ainda estão abertas.

Outro lado

O Vale 360 News procurou a GM, mas ainda não obteve um posicionamento. Quando houver manifestação, a matéria será atualizada.

Metalúrgicos da GM em São José dos Campos aprovam estado de greve
Assembleia dos metalúrgicos da GM em São José dos Campos, nesta segunda-feira (31/08). Foto: Sindicato dos Metalúrgicos (Divulgação)

ENTRE NO GRUPO DE NOTÍCIAS DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

Links recomendados

ENTRE NO GRUPO DE NOTÍCIAS DO VALE DO PARAÍBA

Siga nosso Instagram

Leia também

Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.