O bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, investigado pela morte do estudante de Medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, em Taubaté, já havia aparecido em duas ocorrências anteriores relacionadas a desentendimentos com motoristas, em 2019 e 2021. Em um dos episódios, houve relato de exibição de uma arma após discussão em um semáforo. Os dois casos foram arquivados e não resultaram em responsabilização criminal. Nesta quinta-feira (01/10), o Comando do 11º Grupamento de Bombeiros divulgou nota sobre a morte de Bruno e informou que Marcos está em licença sem vencimentos e não exercia funções no Vale do Paraíba. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
Os registros anteriores consultados pelo Vale 360 News têm circunstâncias diferentes do homicídio ocorrido na quarta-feira (30/09), na Avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo.
A existência dessas ocorrências não representa prova sobre a dinâmica da morte de Bruno. Os dois episódios anteriores foram arquivados, e a investigação atual deve considerar as provas produzidas especificamente no caso ocorrido em Taubaté.
Discussão em 2021 também ocorreu após conflito no trânsito
Em 2021, Marcos apareceu numa ocorrência após uma discussão com outro motorista num semáforo. Segundo informações da repórter Duda Vasconcelos, da TV Band Vale, o motorista à frente permaneceu parado por alguns instantes depois que o sinal abriu.
A demora teria irritado Marcos e provocado o desentendimento entre os dois — durante a discussão, o bombeiro teria mostrado uma arma ao outro motorista. O caso não avançou para responsabilização criminal e acabou arquivado.
O episódio tem uma coincidência circunstancial com o caso atual por ter origem num conflito no trânsito, mas isso não permite concluir que os fatos tenham a mesma dinâmica, nem usar o registro arquivado como prova sobre a morte de Bruno.
Ocorrência de 2019 começou após veículo parar diante de garagem
Outro registro, de 2019, também teve relação com uma situação no trânsito. Na ocasião, segundo a TV Band Vale, Marcos teria parado um veículo diante de uma garagem e impedido a saída de uma moradora, dando início a uma discussão acalorada entre os dois. Assim como no registro de 2021, o caso não teve prosseguimento criminal e foi arquivado.
Não há informação de condenação ou responsabilização de Marcos em nenhum dos dois episódios — por isso, devem ser apresentados como ocorrências anteriores arquivadas, não como antecedentes criminais nem como comprovação de comportamento no caso atual.
Corpo de Bombeiros lamenta morte de Bruno Hashimura
O Comando do 11º Grupamento de Bombeiros se pronunciou nesta quinta sobre o homicídio ocorrido na Avenida do Povo. Em nota, a corporação manifestou pesar pela morte do estudante:
“Expressamos nossas condolências e solidariedade aos familiares e amigos da vítima. Reconhecemos a gravidade do ocorrido e a comoção causada pela perda de uma vida.”
O 11º Grupamento é responsável pelo atendimento em municípios do Vale do Paraíba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte. A corporação também esclareceu a situação funcional de Marcos Paulo Fujarra de Oliveira:
“O bombeiro militar envolvido não exercia suas funções na região do Vale do Paraíba e encontra-se em licença sem vencimentos há algum tempo.”
Ou seja: apesar de o crime ter ocorrido em Taubaté, Marcos não trabalhava no 11º Grupamento no período citado pela corporação.
Instituição afirma que condutas contrárias à preservação da vida são incompatíveis com seus valores
A nota também ressalta princípios institucionais do Corpo de Bombeiros:
“O Corpo de Bombeiros reafirma seu compromisso com a preservação da vida, a legalidade e o respeito à população. Condutas contrárias a esses princípios são incompatíveis com os valores da instituição.”
O comando afirmou ainda esperar que as autoridades responsáveis adotem as providências necessárias para esclarecer o caso e definir eventual responsabilização com respeito ao devido processo legal.
O posicionamento não representa conclusão administrativa ou judicial sobre a responsabilidade de Marcos — a investigação criminal permanece sob responsabilidade das autoridades competentes.
Marcos foi solto após audiência de custódia
Marcos foi preso em flagrante na quarta-feira após os disparos que atingiram Bruno. Nesta quinta, recebeu liberdade provisória após audiência de custódia em São José dos Campos.
O Vale 360 News mostrou que a Justiça determinou a soltura do bombeiro, suspendeu o porte de arma e impôs medidas cautelares. Entre as determinações estão comparecimento periódico em juízo, restrição de contato com os familiares de Bruno e distância mínima de 100 metros deles.
A decisão judicial também determinou o envio de ofício à Polícia Militar para que Marcos fique em atividade administrativa. A nota do 11º Grupamento, porém, informa que ele se encontra atualmente em licença sem vencimentos.
A liberdade provisória não significa absolvição nem reconhecimento da tese de legítima defesa apresentada no caso.
Polícia Civil não reconheceu legítima defesa na fase inicial
No boletim registrado após o crime, Marcos afirmou que acreditou estar diante de uma ameaça — disse ter visto um objeto de aparência prateada nas mãos de Bruno e pensado tratar-se de uma arma.
Nenhuma arma de fogo foi encontrada com o estudante ou dentro do Chevrolet Prisma. A polícia localizou um canivete dentro do carro de Bruno, mas o registro não afirma que ele tenha exibido ou usado esse objeto contra Marcos.
O Vale 360 News detalhou que a autoridade policial não encontrou elementos suficientes para reconhecer legítima defesa na fase inicial da investigação. O delegado apontou ainda a necessidade de exames periciais para definir trajetória, quantidade e distância dos disparos, além da posição dos envolvidos. A defesa mantém a tese de legítima defesa.
Bruno morreu após discussão na Avenida do Povo
O crime ocorreu na manhã de quarta-feira, na Avenida Professor Walter Thaumaturgo. Bruno dirigia um Chevrolet Prisma prata; Marcos estava num Jeep Renegade preto.
Após a discussão no trânsito, Marcos efetuou disparos de arma de fogo. Bruno saiu do carro após ser atingido, conseguiu se deslocar pela avenida e caiu mais adiante. Recebeu atendimento de emergência e seguiu para o Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu.
O Vale 360 News publicou a identificação do estudante e os primeiros detalhes do homicídio na Avenida do Povo.
Família se despediu do estudante nesta quinta-feira
Enquanto a situação judicial de Marcos passava por análise na audiência de custódia, familiares e amigos se despediram de Bruno em Jacareí.
O estudante tinha 23 anos, era casado, pai de um menino de 2 anos e cursava o quarto semestre de Medicina na Universidade de Taubaté. Familiares o descreveram como alegre, otimista e dedicado aos estudos — o avô, Ailton San Juliano, afirmou em entrevista à TV Vanguarda que o sonho do neto era se tornar médico.
A família cobrou justiça durante o velório e o sepultamento de Bruno em Jacareí.
Ocorrências arquivadas não definem responsabilidade no homicídio
Os episódios de 2019 e 2021 fazem parte do histórico de registros que chegaram à reportagem após a morte de Bruno. Nos dois casos, as apurações foram arquivadas — o que significa que nenhum deles deve ser apresentado como condenação, antecedente criminal ou prova automática contra Marcos no inquérito atual. A morte de Bruno tem investigação própria.
A Polícia Civil ainda precisa esclarecer a sequência do desentendimento, as posições dos dois motoristas, as circunstâncias que antecederam os tiros e se os requisitos alegados pela defesa para legítima defesa estavam presentes. Os laudos periciais, depoimentos e demais provas serão determinantes para a conclusão do caso.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


