A Prefeitura de Caçapava firmou um contrato de R$ 2.143.584,00, com vigência de quatro meses, para locação de estruturas destinadas a eventos do município. O Contrato nº 191/2026 foi assinado em 14 de agosto pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo com a empresa Tríade Promoções e Eventos Comercial Ltda. O Vale 360 News questionou a Prefeitura sobre quais eventos receberão as estruturas, quanto será destinado a cada programação e quais itens serão efetivamente contratados, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
O extrato, publicado pela Secretaria de Gestão Pública, identifica como objeto a “contratação de empresa especializada em locação de estruturas para realização de eventos” — a justificativa aponta a montagem dessas estruturas para eventos no município.
O contrato deriva do Processo Administrativo nº 5068/2024 e do Pregão Eletrônico nº 035/2024, que a própria Prefeitura descreve, na página oficial da licitação, como responsável por criar uma ata de registro de preços para eventual contratação de empresa especializada em estruturas para eventos.
Quanto a Prefeitura de Caçapava contratou para estruturas de eventos?
O valor do Contrato nº 191/2026 é de R$ 2.143.584,00, com vigência de quatro meses — mas o extrato não divide esse total por evento, mês ou tipo de estrutura, nem informa quantos palcos, tendas, gradis, equipamentos de iluminação ou outros itens serão efetivamente solicitados no período.
O contrato foi celebrado entre o Município, por intermédio da Secretaria de Cultura e Turismo, e a Tríade Promoções e Eventos Comercial Ltda.
O valor chama atenção justamente pelo prazo: mais de R$ 2,1 milhões para uma vigência de quatro meses. Isso não significa, porém, que todo o montante já tenha saído dos cofres municipais — só a análise de ordens de serviço, notas fiscais, liquidações e pagamentos permite confirmar isso.
Em quais eventos serão usados os R$ 2,14 milhões?
Essa é justamente uma das perguntas que o Vale 360 News levou à Prefeitura: quais eventos vão usar os serviços do contrato, quais estruturas serão montadas, os quantitativos, o custo previsto por programação e a fonte dos recursos. Até a publicação, não houve resposta.
O extrato diz apenas que a contratação servirá para montar estruturas de eventos no município — sem o detalhamento da execução, não dá para saber quanto dos R$ 2.143.584 vai para cada evento. O espaço segue aberto, e a reportagem será atualizada caso a Prefeitura se manifeste.
O contrato faz parte da ata de R$ 27 milhões para eventos?
Não, pelos documentos disponíveis são processos distintos. O contrato de R$ 2.143.584 vem do Pregão Eletrônico nº 035/2024 e do Processo Administrativo nº 5068/2024.
Já o conjunto de contratações que somou R$ 27.150.782 para estruturas e serviços de eventos foi publicado em abril de 2026, por meio dos Termos de Adesão nº 90084/2026, 90085/2026 e 90086/2026, dividido entre três empresas: JFL Logística e Eventos Ltda., SBS Eventos Ltda. e RAMG Dias.
Vale lembrar que esses R$ 27,15 milhões são apenas o limite disponível nas contratações, não o valor efetivamente gasto — em maio, quando o tema chegou à Câmara, a própria Prefeitura informou que nenhum recurso das atas havia sido usado até aquele momento. Por isso, sem documento que vincule os dois processos, não é correto somar automaticamente o contrato de R$ 2,14 milhões aos R$ 27,15 milhões como se fizessem parte da mesma ata.
O que a Prefeitura já havia dito sobre os R$ 27 milhões?
Em maio, o Vale 360 News já havia mostrado que a Prefeitura não detalhava cronograma, custos por evento nem planilhas daquelas atas — cobrança que partiu de um requerimento na Câmara Municipal pedindo planejamento dos eventos, estimativa de público, justificativa individualizada, custos, quantitativos, valores unitários, divisão entre empresas e fonte dos recursos.
Na resposta ao Legislativo, o município confirmou que as atas haviam sido aderidas, mas que os recursos ainda não tinham sido utilizados, e que os processos poderiam ser consultados na secretaria competente mediante agendamento.
O novo contrato de R$ 2,14 milhões surge meses depois, com processo próprio — e a falta de resposta aos questionamentos atuais impede saber, por enquanto, como o valor será distribuído entre os eventos dos próximos quatro meses.
Caçapava também prevê mais de R$ 1 milhão para banheiros químicos?
Sim, numa contratação mais recente e também com processo próprio. No domingo (21), o Vale 360 News mostrou que a Prefeitura homologou um registro de preços de até R$ 1.060.000 para aluguel de banheiros químicos em eventos públicos, pelo Pregão Eletrônico nº 035/2026 e Processo Administrativo nº 4507/2026 — não confundir com o Pregão nº 035/2024, que originou o contrato de estruturas de R$ 2,14 milhões.
Essa licitação mais recente prevê até 2.700 diárias de sanitários convencionais, 430 diárias de unidades acessíveis para pessoas com deficiência e 100 diárias de módulos em contêiner com seis cabines. O processo, estimado em R$ 1.111.650, foi homologado por R$ 1.060.000 para a empresa F. L. Sani Express Locação e Eventos Ltda. — como é registro de preços, esse valor é apenas o limite homologado, e o município não fica obrigado a consumir toda a quantidade registrada.
O Pregão 035/2024 já foi usado em outro evento de Caçapava?
Sim. O site oficial da Prefeitura mostra que o mesmo Pregão nº 035/2024 aparece na execução do convênio para o aniversário de 171 anos da cidade — na página de prestação de contas, a Tríade Promoções e Eventos Comercial Ltda. aparece como empresa contratada, com repasse federal de R$ 700 mil (originado no Ministério do Turismo) e contrapartida municipal de R$ 8 mil.
Esse registro confirma que a ata do Pregão nº 035/2024 já foi usada para contratar estruturas de evento antes — mas isso não permite concluir, sozinho, que os R$ 2.143.584 do Contrato nº 191/2026 vão para o aniversário ou qualquer outra programação específica.
Por que o detalhamento dos gastos com eventos é importante?
O valor global de um contrato mostra o limite financeiro assumido pela administração, mas não explica, sozinho, como o dinheiro público será aplicado. Para saber o custo real de cada evento, é preciso acompanhar ordens de serviço, empenhos, liquidações, notas fiscais e pagamentos — documentos que mostram quais estruturas foram pedidas, por quantos dias, em qual evento e por qual valor.
No caso do Contrato nº 191/2026, esses dados também vão permitir comparar o que foi contratado com o que de fato foi executado nos quatro meses de vigência.
O acompanhamento ganha peso porque Caçapava tem hoje diferentes processos ligados a estrutura de eventos: além destes R$ 2,14 milhões, há as adesões que somam até R$ 27,15 milhões e a nova ata de até R$ 1,06 milhão para banheiros químicos. Os valores não devem ser somados como gastos já realizados — cada procedimento tem regras, objeto, prazo e execução próprios, e o desembolso real depende dos serviços efetivamente solicitados e pagos.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

