Comissão decide dar sequência às investigações que podem levar à cassação do prefeito de Caçapava

A Comissão Processante de Caçapava decidiu dar sequência às investigações contra o prefeito Yan Lopes (Podemos) nesta segunda-feira (31/08), após analisar a defesa prévia apresentada pelo chefe do Executivo. Os três integrantes entenderam que ainda precisam reunir documentos e aprofundar a análise sobre o uso de recursos do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito no subsídio das tarifas de ônibus. A decisão não representa cassação nem conclusão de que houve irregularidade. O relatório preliminar será lido na sessão da Câmara desta terça-feira (01/09). CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP

A comissão é formada por Fran Miranda (PL), Dani Galdino (Republicanos) e Pablo Fernandes (DC). Fran preside o grupo. O prazo para a análise da defesa prévia e a decisão entre arquivar a denúncia ou dar continuidade ao processo termina nesta segunda-feira.

Segundo informações apuradas pelo Vale 360 News, os três vereadores optaram pelo prosseguimento porque consideram necessária a obtenção de mais documentos antes de qualquer conclusão sobre a legalidade ou ilegalidade dos pagamentos questionados.

Por que a Comissão Processante decidiu continuar a investigação?

O ponto central é a necessidade de aprofundar a análise dos documentos relacionados ao Fundo Municipal de Transporte e Trânsito e ao pagamento de subsídios para o transporte coletivo.

A denúncia questiona o uso de R$ 2.161.600 do fundo para o subsídio tarifário dos ônibus durante o exercício de 2025. O debate não trata, nesse ponto, de apropriação pessoal do dinheiro pelo prefeito. A controvérsia está na finalidade dada aos recursos públicos e na base jurídica adotada pela Prefeitura.

O Vale 360 News detalhou anteriormente a abertura da Comissão Processante contra Yan Lopes. A Câmara aceitou a denúncia por unanimidade entre os vereadores aptos a participar da votação.

Depois da apresentação da defesa prévia, a comissão precisaria decidir se encerraria o procedimento nessa fase ou se abriria a etapa de instrução. A opção desta segunda-feira foi pela segunda alternativa.

O que muda agora com a continuidade da Comissão Processante?

A comissão passa a uma fase mais ampla de produção de provas. Os vereadores podem solicitar documentos, requisitar informações, ouvir testemunhas e realizar diligências relacionadas aos pontos descritos na denúncia.

Essa etapa tem importância porque o relatório preliminar não equivale ao relatório final. A decisão tomada agora significa apenas que os três integrantes não consideram suficiente o material disponível para encerrar a investigação.

A Comissão Processante terá de avaliar a denúncia, a defesa de Yan Lopes, os documentos da administração municipal e as demais provas que entrarem no processo.

A abertura da comissão já havia colocado em discussão a legalidade do uso do Fundo de Trânsito para manter a passagem de ônibus em R$ 4,20. A Prefeitura sustenta que a aplicação dos recursos respeitou o interesse público e teve respaldo técnico e jurídico.

Quando o relatório preliminar será apresentado?

O relatório preliminar deverá ser lido na sessão ordinária desta terça-feira (01/09), na Câmara Municipal de Caçapava.

As sessões ordinárias da Casa ocorrem às terças-feiras, a partir das 18h. A leitura dará conhecimento público à decisão da comissão de prosseguir com a investigação.

O documento deve registrar os fundamentos usados pelos vereadores para manter o processo aberto e indicar as próximas providências.

A leitura não representa julgamento do prefeito. O processo ainda terá uma fase de instrução antes da elaboração do relatório final.

Por que a comissão tentou entregar um ofício ao prefeito?

Desde sexta-feira, integrantes da Comissão Processante tentam entregar a Yan Lopes um ofício para comunicar formalmente que a investigação terá continuidade.

Até esta segunda-feira, segundo informações recebidas pela reportagem, a comissão não tinha conseguido localizar o prefeito para efetuar a entrega pessoal.

A tentativa de comunicação faz parte dos procedimentos do processo e busca assegurar que o prefeito tenha ciência de cada etapa, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

O que Yan Lopes já disse sobre o Fundo de Transporte?

Antes da abertura da Comissão Processante, Yan Lopes defendeu publicamente a legalidade dos pagamentos.

Segundo a Prefeitura, os recursos serviram para subsidiar o transporte coletivo e impedir que um aumento de custos chegasse integralmente ao passageiro. A administração sustenta que a medida ajudou a preservar a tarifa em R$ 4,20.

O prefeito também afirmou anteriormente que apresentaria documentos técnicos e jurídicos para comprovar a regularidade dos atos.

Em outra manifestação publicada pelo Vale 360 News, Yan Lopes afirmou que a controvérsia sobre o subsídio deveria receber análise técnica especializada e citou a possibilidade de avaliação pelo Ministério Público.

A defesa da Prefeitura e a denúncia apresentam interpretações diferentes sobre a destinação legal dos recursos. Cabe à comissão examinar os documentos e produzir uma conclusão dentro do rito político-administrativo.

Qual é o prazo final da investigação contra Yan Lopes?

O Decreto-Lei Federal nº 201/1967 determina que o processo de cassação esteja concluído em até 90 dias contados da notificação do acusado.

Pela cronologia usada no procedimento, com a notificação do prefeito em 14 de agosto, o prazo máximo chega a 12 de novembro de 2026.

Até essa data, a comissão precisa concluir a fase de provas, preparar o relatório final e, caso proponha julgamento, permitir que a Câmara cumpra as etapas previstas em lei.

Se o processo não tiver julgamento dentro do prazo legal de 90 dias, o Decreto-Lei prevê o arquivamento, sem impedir a apresentação de uma nova denúncia sobre os mesmos fatos.

O que a denúncia contra o prefeito de Caçapava questiona?

Um dos principais pontos é o uso de R$ 2.161.600 do Fundo Municipal de Transporte e Trânsito no pagamento do subsídio tarifário do transporte coletivo.

A representação sustenta um possível desvio de finalidade orçamentária. A acusação questiona se recursos vinculados ao fundo, inclusive receitas relacionadas a multas, poderiam financiar esse tipo de despesa.

A denúncia também apresenta questionamentos sobre o fornecimento de documentos e informações solicitados pela Câmara.

O pedido de cassação apresentado contra Yan Lopes detalhou os valores e os processos administrativos citados pelos denunciantes.

A Prefeitura contesta as acusações e afirma que não houve irregularidade.

A decisão desta segunda-feira significa que Yan Lopes será cassado?

Não. A decisão significa apenas que a comissão entendeu que a investigação deve prosseguir.

A cassação só entra em votação após a conclusão da instrução, apresentação do relatório final e convocação de sessão para julgamento, caso o parecer leve o processo até essa etapa.

Além disso, o relatório da comissão não cassa automaticamente o prefeito. A decisão cabe ao plenário.

Quantos votos seriam necessários para cassar o prefeito de Caçapava?

O Decreto-Lei nº 201/1967 exige o voto de pelo menos dois terços dos membros da Câmara para a cassação.

A Câmara de Caçapava possui 11 vereadores. Portanto, uma eventual cassação exige pelo menos oito votos favoráveis.

Esse cálculo não depende apenas dos vereadores presentes na sessão. A lei toma como referência o número de membros da Câmara.

Quem integra a Comissão Processante de Caçapava?

A comissão possui três integrantes escolhidos após a Câmara aceitar a denúncia.

Fran Miranda (PL) ocupa a presidência. Dani Galdino (Republicanos) e Pablo Fernandes (DC) completam o grupo.

Os três têm a responsabilidade de avaliar as acusações e a defesa sem antecipar conclusão sobre culpa ou inocência.

Na abertura do processo, o Vale 360 News explicou o rito da Comissão Processante e os prazos previstos no Decreto-Lei nº 201.

A decisão desta segunda-feira marca uma nova etapa. A comissão deixa a análise preliminar da defesa e passa à produção das provas consideradas necessárias para o relatório final.

O que disse a Prefeitura

O Vale 360 News pediu uma entrevista com o Prefeito, Yan Lopes, mas ele decidiu se manifetsar por meio de nota. “A Comissão responsável pelo processo de investigação instaurado pela Câmara Municipal de Caçapava decidiu dar continuidade aos trabalhos após a análise da defesa apresentada pelo prefeito Yan Lopes.

O prefeito está tranquilo diante da decisão e mantém a confiança de que, no decorrer do processo, todos os fatos serão devidamente esclarecidos. Yan Lopes afirma ainda que os recursos foram utilizados para promover a renovação de 100% da frota do transporte público e para evitar que o valor da passagem sofresse aumento para os usuários.

O prefeito reafirma sua convicção de que ficará comprovado que não houve qualquer irregularidade em sua atuação.”

Comissão Processante contra o prefeito de Caçapava
Yan Lopes (Podemos) em entrevista para explicar que não houve irregularidades no uso do dinheiro do Fundo Municipal de Transportes. Foto: Jesse Nascimento (Vale 360 News)

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Jesse Nascimento
Jesse Nascimento

Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.