O empresário Polion Gomes Reinaux Gomes, de 45 anos, condenado pela Justiça do Paraná por estelionato no caso do desvio de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de uma menina com câncer, foi preso em Caçapava nesta segunda-feira (21/09). A Polícia Civil cumpriu um mandado de prisão temporária de 30 dias expedido pela Justiça de Goiás durante diligências de outra investigação, que apura uma compra de R$ 11.175,30 feita com dados cadastrais de uma empresa farmacêutica sem autorização. No imóvel investigado, na Vila Resende, os policiais localizaram mercadorias relacionadas ao novo caso. CLIQUE AQUI E ENTRE NO NOSSO CANAL DO WHATSAPP
A prisão atual não decorre da condenação pelo caso da menina com câncer. O mandado cumprido em Caçapava foi expedido pela 2ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia e está ligado a outro processo — a condenação pelo desvio dos recursos do tratamento ocorreu no Paraná.
A diligência que levou a Polícia Civil ao endereço de Caçapava também tem origem distinta: investigadores apuram um estelionato em que dados cadastrais de uma empresa teriam sido usados para obter mercadorias de um fornecedor sem pagamento.
Como a nova investigação chegou ao empresário preso em Caçapava?
O caso começou a partir de uma investigação do 63º Distrito Policial de Vila Jacuí, na capital paulista. Segundo o boletim, uma pessoa sem autorização usou dados cadastrais da A.W. Comércio de Produtos Farmacêuticos Ltda. para negociar mercadorias com a Alfa Net Distribuidora Ltda.
A operação resultou na Nota Fiscal nº 003380, no valor de R$ 11.175,30 — a empresa cujos dados foram usados não reconheceu a negociação, segundo o registro policial. As mercadorias saíram do fornecedor e foram transportadas até Caçapava, com a investigação apontando um imóvel na Avenida Cidade de São Paulo, na Vila Resende, como possível endereço de entrega.
Como a Polícia Civil confirmou o endereço em Caçapava?
Havia dúvida inicial sobre qual imóvel havia recebido a carga, já que as características de duas propriedades próximas coincidiam com as informações do motorista responsável pelo transporte. A equipe fez uma chamada de vídeo com ele, que apontou o endereço correto ao visualizar os imóveis.
Vizinhos relataram que o local não tinha morador permanente, apesar de movimentação considerada incomum para uso exclusivamente residencial. No local, os investigadores encontraram um pallet de madeira — já citado pelo motorista — e caixas de papelão desmontadas, uma delas com produto e marca compatíveis com os materiais do estelionato investigado.
O que a Polícia Civil encontrou no imóvel?
Os policiais localizaram mercadorias que, segundo o boletim, correspondiam aos produtos da negociação investigada — um representante da empresa vítima compareceu ao endereço e reconheceu os itens.
O registro relaciona 155 unidades de lenços umedecidos, dez unidades de lençol hospitalar, coletores para materiais perfurocortantes e 62 glicosímetros. Um notebook também foi apreendido e lacrado para a investigação. A autoridade policial esteve no imóvel, determinou a preservação do local e pediu perícia técnica.
O que Polion declarou sobre as compras investigadas?
Interrogado formalmente com advogado presente, Polion optou por prestar declarações e, segundo o boletim, admitiu ter recebido de um terceiro documentos da A.W. Comércio de Produtos Farmacêuticos e ter usado os dados cadastrais da empresa para fazer compras — dizendo não conhecer o proprietário nem ter vínculo com a pessoa jurídica.
Ele confirmou a compra de aproximadamente R$ 11 mil junto à Alfa Net com os dados da A.W., e disse ter usado os mesmos dados para adquirir lenços umedecidos, papel para maca e coletores para materiais perfurocortantes.
Como funcionaria o esquema relatado à polícia?
Segundo a versão de Polion no interrogatório, um terceiro teria fornecido a documentação da empresa e orientado as compras sem pagamento aos fornecedores — em troca, ele repassaria 50% do valor das notas fiscais a essa pessoa, que chegou a identificar à polícia.
Essa declaração integra a investigação, mas não comprova, por si só, a participação do terceiro citado — a Polícia Civil ainda precisa apurar eventual responsabilidade de outras pessoas. Ao final do interrogatório, Polion afirmou ser responsável pela aquisição das mercadorias e declarou assumir as consequências dos próprios atos.
Por que Polion foi preso em Caçapava?
Não foi flagrante pelo estelionato de R$ 11.175,30. Durante as diligências desta segunda-feira, a Polícia Civil constatou a existência de um mandado de prisão temporária válido por 30 dias contra o empresário, expedido pela 2ª Vara das Garantias da Comarca de Goiânia — documento compatível, segundo o boletim, com diligências anteriores já feitas pela Polícia Civil de Caçapava em colaboração com uma investigação do Estado de Goiás. Constatada a ordem judicial, a autoridade determinou a captura e o recolhimento do empresário.
A prisão atual ocorreu por causa do desvio do dinheiro da menina com câncer?
Não há essa informação no boletim. O mandado cumprido nesta segunda foi expedido pela Justiça de Goiás, enquanto o processo dos R$ 2,5 milhões para o tratamento da menina tramitou no Paraná — são casos distintos. A condenação anterior é um antecedente judicial do empresário, mas não é o fundamento da prisão cumprida nesta segunda.
Quem é o empresário preso em Caçapava?
Polion já havia sido preso na cidade numa investigação de repercussão nacional. Em julho de 2024, o Vale 360 News mostrou sua prisão em Caçapava durante a investigação do desvio de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de câncer de Yasmin, uma menina diagnosticada com neuroblastoma — na ocasião, a Polícia Civil de Caçapava cumpriu ordem judicial em apoio à Polícia Civil do Paraná.
Como ocorreu o caso dos R$ 2,5 milhões para tratamento da menina?
Yasmin precisava de um medicamento de alto custo, e a Justiça determinou que o Estado do Paraná custeasse o tratamento — cerca de R$ 2,5 milhões foram destinados à compra do produto. A investigação apurou que as empresas envolvidas receberam os recursos, mas a medicação não foi entregue conforme previsto.
A operação de julho de 2024, quando Polion foi preso em Caçapava, também buscou celulares, documentos, notebooks e comprovantes de transferências financeiras ligados ao caso.
Qual foi a condenação de Polion no caso da menina com câncer?
A Justiça do Paraná o condenou por estelionato, com pena de 4 anos, 9 meses e 5 dias de prisão, mais 338 dias-multa — outro empresário também foi condenado no mesmo processo. A decisão saiu em janeiro de 2026, cerca de um ano e meio depois da prisão de Polion em Caçapava.
O processo teve medidas e recursos posteriores da defesa, então a condenação não significa que todas as discussões judiciais sobre o caso estejam encerradas.
Existe outra pessoa investigada no novo caso de Caçapava?
Sim. Uma mulher que compareceu ao imóvel durante as diligências disse ser responsável pelo local, que funcionaria como escritório de comércio eletrônico. Ela se identificou como única sócia da empresa instalada ali, negou ter comprado da Alfa Net e negou relação com a A.W. Comércio de Produtos Farmacêuticos.
Questionada sobre os lenços umedecidos encontrados no endereço, afirmou que os produtos haviam sido adquiridos por Polion e disse não saber de eventual origem ilícita. A Polícia Civil registra que os elementos reunidos até agora não permitem confirmar nem afastar com segurança sua participação no estelionato — por isso, ela segue como investigada, e sua eventual responsabilidade depende do andamento das diligências.
Estelionatos representam quantas ocorrências em Caçapava?
Uma parcela expressiva. Em entrevista ao Vale 360 News, em abril de 2025, o delegado titular da cidade afirmou que estelionatos respondiam por cerca de 70% dos boletins recebidos pela delegacia, incluindo golpes por Pix, clonagem de contas, falsas negociações e fraudes comerciais.
Em julho de 2025, por exemplo, dois homens foram presos em flagrante por um golpe da maquininha na cidade — a vítima achava que pagaria R$ 50 por uma panela, mas teve R$ 2.450 debitados. A ocorrência atual tem dinâmica diferente: o uso de dados cadastrais de uma pessoa jurídica para adquirir produtos de fornecedores.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.


