EDP antecipa o Plano Verão 2026/2027 no Vale do Paraíba, Litoral Norte diante da previsão de um período influenciado pelo El Niño e com maior risco de eventos climáticos severos. A concessionária apresentou nesta terça-feira (22/09), em São José dos Campos, medidas que incluem reforço de equipes, monitoramento meteorológico, automação da rede, podas preventivas e uma estrutura que, em situações críticas, comporta ampliação superior a sete vezes. A área de concessão reúne mais de 2,2 milhões de clientes.
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O plano foi apresentado no Centro de Operação Integrado da EDP, em São José dos Campos. A estratégia busca preparar a rede para tempestades, ventos fortes, quedas de árvores e outros eventos que costumam elevar o número de ocorrências no sistema elétrico durante o período chuvoso.
A antecipação também ocorre após episódios recentes que mostraram a vulnerabilidade da infraestrutura elétrica regional diante de tempestades severas. Em março de 2025, um temporal derrubou torres de transmissão e deixou milhares de consumidores sem energia no Vale do Paraíba.
Naquela ocorrência, cidades como Pindamonhangaba, Taubaté, Jacareí, São José dos Campos e Caçapava tiveram impactos na rede elétrica. O episódio ajuda a dimensionar o desafio que eventos meteorológicos severos representam para o fornecimento de energia na região.
O que muda com o Plano Verão da EDP no Vale do Paraíba?
O Plano Verão reúne ações de prevenção, monitoramento e resposta a ocorrências provocadas por eventos climáticos.
A concessionária acompanha previsões meteorológicas para definir antecipadamente a distribuição de equipes, veículos e equipamentos nas áreas com maior risco.
A estratégia também inclui treinamentos, simulados e comunicação com Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, forças policiais e prefeituras.
Em situações de maior severidade, a EDP afirma ter capacidade para ampliar em mais de sete vezes sua estrutura operacional. Técnicos de outras regionais também podem ser deslocados para os locais mais afetados.
A empresa mantém bases avançadas e pontos de saída de equipes em áreas consideradas estratégicas. O objetivo é reduzir o deslocamento até os locais das ocorrências.
Por que os temporais representam risco para a rede elétrica?
Um dos principais problemas durante tempestades não está relacionado apenas à quantidade de chuva. Ventos fortes podem derrubar árvores, lançar galhos sobre os cabos e provocar danos em postes, equipamentos e linhas.
O Vale do Paraíba já enfrentou um exemplo de grande proporção. Em março de 2025, ventos superiores a 100 km/h derrubaram estruturas de transmissão na região de Aparecida.
Na ocasião, o Vale 360 News mostrou que a EDP registrou volume de ordens de serviço 11 vezes superior ao de dias considerados atípicos.
As equipes enfrentaram dificuldade para chegar aos pontos danificados, especialmente em áreas rurais.
O histórico recente explica por que manejo de árvores, automação e posicionamento antecipado das equipes ocupam espaço relevante no plano apresentado nesta terça-feira.
Quantas árvores e galhos a EDP podou em 2026?
Entre janeiro e agosto de 2026, a EDP contabilizou mais de 137 mil podas de galhos e árvores em sua área de concessão paulista.
No mesmo período, a empresa informa que fez a limpeza de 113 mil metros quadrados de faixas de vegetação, com atenção para bambus, cercas vivas e outras plantas próximas da rede.
Esse trabalho busca reduzir a possibilidade de contato da vegetação com cabos e equipamentos durante tempestades.
A concessionária também instalou 313 quilômetros de redes protegidas entre janeiro e agosto.
Esses cabos possuem características diferentes das redes convencionais e oferecem maior proteção em locais com elevada densidade de vegetação.
Como a rede elétrica consegue recuperar energia automaticamente?
A automação representa outro eixo da preparação para o verão.
Segundo a EDP, cerca de 80% dos clientes de sua área de concessão em São Paulo já são atendidos por circuitos que contam com a tecnologia conhecida como self-healing.
O sistema identifica uma falha, isola o trecho afetado e busca uma rota alternativa para restabelecer o fornecimento aos consumidores que possuem essa possibilidade técnica.
Em alguns casos, essa transferência ocorre em poucos segundos.
A cobertura aumentou de forma expressiva. Há oito anos, segundo a empresa, cerca de 10% dos clientes possuíam atendimento por essa tecnologia.
Isso não significa que 80% dos consumidores estejam protegidos contra qualquer interrupção. Se o defeito atingir um ponto sem rota alternativa ou causar danos físicos à rede, a recomposição depende de intervenção técnica.
O que mudou no centro que controla a rede elétrica da EDP?
A EDP também implantou em julho de 2026 uma nova plataforma no Centro de Operação Integrado de São José dos Campos.
O sistema, chamado Advanced Distribution Management System, reúne monitoramento, controle e operação da rede de distribuição.
A ferramenta auxilia a identificação de ocorrências e a tomada de decisões durante falhas no sistema.
A concessionária também possui uma rede própria de telecomunicações com cobertura em toda a área de concessão. Essa infraestrutura permite a comunicação entre o centro de operação, subestações e equipamentos automáticos instalados nas cidades.
A empresa opera atualmente 86 subestações em 28 municípios paulistas.
Quanto a EDP prevê investir na rede elétrica até 2030?
A concessionária prevê R$ 5 bilhões em investimentos entre 2025 e 2030 nas cidades atendidas em São Paulo.
Segundo a empresa, os recursos incluem projetos de expansão, modernização e digitalização da rede elétrica.
O montante previsto representa aumento próximo de 30% em relação ao ciclo anterior, entre 2019 e 2024.
Os R$ 5 bilhões não correspondem exclusivamente ao Plano Verão nem apenas ao Vale do Paraíba. O valor abrange o ciclo de investimentos da concessionária em sua área de atuação paulista.
O que acontece quando um temporal provoca muitas quedas de energia?
O plano estabelece prioridades para o atendimento quando a quantidade de ocorrências supera a capacidade normal da operação.
Hospitais, unidades de saúde, serviços de segurança pública, escolas, creches e instituições de longa permanência para idosos entram entre as estruturas prioritárias.
Também recebem prioridade situações com risco à vida e consumidores cadastrados como dependentes de equipamentos elétricos essenciais à sobrevivência.
Esse protocolo já apareceu em ocorrências anteriores na região. Durante o grande apagão de março de 2025, a EDP informou ao Vale 360 News que hospitais, escolas e sistemas de abastecimento de água estavam entre as prioridades para recomposição do fornecimento.
Em dezembro de 2025, outro evento severo voltou a pressionar o sistema. Na ocasião, o Vale 360 News registrou milhares de ocorrências relacionadas ao fornecimento após os efeitos de um ciclone no Vale do Paraíba e Litoral Norte.
O Plano Verão evita que falte energia durante temporais?
Não. As medidas reduzem riscos e buscam acelerar a resposta, mas não eliminam a possibilidade de interrupções.
Uma árvore de grande porte sobre a rede, a queda de uma estrutura ou danos provocados por rajadas intensas ainda podem interromper o fornecimento.
A automação ajuda principalmente quando existe uma configuração alternativa capaz de alimentar os clientes sem passar pelo trecho danificado.
Quando há danos físicos, equipes precisam acessar o local, avaliar a segurança e executar os reparos necessários.
Esse ponto ganha relevância em áreas rurais e serranas do Vale do Paraíba e Litoral Norte, onde o acesso ao local de uma ocorrência pode aumentar o tempo necessário para o serviço.
Qual é a relação entre El Niño e o Plano Verão da EDP?
A EDP atribui a antecipação do plano às perspectivas climáticas para os próximos meses e à expectativa de influência do El Niño.
A empresa recebeu uma análise meteorológica durante o encontro realizado nesta terça-feira em São José dos Campos.
Para a operação elétrica, o aspecto central é a preparação para episódios de chuva intensa, ventos fortes e outros eventos capazes de provocar danos na infraestrutura.
A intensidade e a localização de cada tempestade dependem das condições atmosféricas de cada período. Por isso, a empresa afirma manter acompanhamento meteorológico permanente para ajustar equipes e recursos.
Como o histórico de apagões afeta a preparação para o próximo verão?
O Vale do Paraíba possui exemplos recentes de eventos que produziram danos de grande porte.
Em 18 de março de 2025, um temporal provocou desligamentos de linhas de transmissão e afetou o fornecimento em várias cidades.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico informou na ocasião que houve interrupção de carga após desligamentos em linhas de transmissão da região.
O Vale 360 News mostrou que nove torres foram derrubadas durante aquele temporal.
O episódio teve reflexos por várias horas e exigiu uma operação emergencial para restabelecer o fornecimento.
A repetição de eventos severos reforça a importância de avaliar o Plano Verão não apenas pelo número de equipes mobilizadas, mas também pelo tempo de recomposição do serviço quando novos temporais atingirem a região.
Como comunicar falta de energia à EDP?
A EDP informa que cerca de 85% dos atendimentos já ocorrem por canais digitais.
O consumidor pode registrar falta de energia pelo aplicativo EDP Online ou pelo site da concessionária.
Também há atendimento pelo WhatsApp, no número (11) 93465-2888, e pela Central de Atendimento, no 0800 721 0707, conforme os contatos divulgados pela empresa nesta terça-feira.
Durante o Plano Verão, a EDP afirma que reforça a estrutura da central para absorver aumento de chamados em períodos de eventos climáticos severos.
Em caso de fio rompido ou cabo caído, a orientação de segurança é não tocar nem se aproximar da estrutura e comunicar a ocorrência à concessionária e aos serviços de emergência quando houver risco às pessoas.

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Fundador e jornalista do Vale 360 News. Especialista em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais, com passagens pelas Rádios Globo e CBN do Grupo Globo e pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, onde atuou como Chefe de Reportagem, apresentador, repórter e produtor. Cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo.

